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04/08

Coralinas: Lugar de mulher é onde o Santa estiver

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Coralinas: Lugar de mulher é onde o Santa estiver

Há um ano, a estudante de psicologia Thammyres Dantas, a Thammy, de 26 anos, estava cada vez mais preocupada com o público que frequentava as arquibancadas do Arruda. Aliás, com o público que não frequentava o estádio. Havia poucas mulheres, o linguajar era muito machista. Ela mesmo já tinha sofrido muito assédio, escutado muita “gracinha”, “muita besteira de homens que acham que futebol é coisa do sexo masculino, que a mulher não entende de futebol”.

Sentia falta de mais mulheres torcendo pelo Santa. Achava que se elas não estavam indo, algum motivo tinha. “Isso aconteceu comigo. Eu só ia para jogo do Santa se fosse acompanhada do pai. Nem com uma amiga podia. Só se fosse acompanhada de um homem. Eu chorava, esperneava, mas não tinha jeito”. Mas no íntimo, ela tinha uma certeza- “eu sabia que essas mulheres existiam”.

Ela resolveu se mexer. Entrou em contatos com um grupo de amigas e marcou uma reunião para discutir o assunto. O local não poderia ter sido mais apropriado: o Pátio da Santa Cruz, local de nascimento do Mais Querido, em 1914. Era o dia 5 de agosto de 2016, e da conversa de seis mulheres surgia o Movimento Coralinas (@movcoralinas), que comemora, neste sábado, seu primeiro aniversário.

O núcleo principal tem 10 mulheres, mas há 62 integrantes, que seguem discutindo o futebol, a cultura machista, usando como um dos lemas o que já está em sua bandeira: “Lugar de mulher é onde o Santa estiver”.

Criaram a página do Movimento (facebook.com/movcoralinas) e começaram a divulgar as ideias e ações nas redes sociais. “Não somos uma torcida organizada feminina. Somos um grupo de mulheres políticas dentro do Santa, que têm uma ideologia. Queremos ter cada vez mais voz e sermos ter cada vez mais mulheres nas arquibancadas”.

Ao longo deste ano, escutaram várias histórias de outras mulheres que não iam ao Arruda porque o pai (ou o próprio companheiro) não deixava, ou porque tinham medo de outro tipo de violência – o assédio. Não se sentiam confortáveis no “ambiente futebolístico”. Passaram a trocar ideias, a chamar outras torcedoras para ir com as Coralinas. Se o problema era dinheiro, faziam uma cotinha. Se a dificuldade era o filho pequeno, se organizavam para facilitar a tarde livre no Arrudão. Juntas, ficaram mais fortes para estender suas bandeiras.

Caixinha, campanhas e mudanças

Com o crescimento do movimento, elas passaram a fazer colagens no entorno do estádio coral, com frases do tipo “Mulher, ocupe o Arruda”; “O Santa não escolhe gênero, escolhe paixão”. Depois surgiu a ideia de levar para o banheiro do estádio algo que é comum em algumas universidades – uma caixinha com absorvente e papel higiênico, com a frase simples – “Se estiver precisando, pegue. Se estiver sobrando, deixe”. Thammy diz que “pode ser pouca coisa”, mas muitas mulheres foram até as Coralinas, parabenizar.

“Atuamos além das arquibancadas, em todos os meios em que a discussão de gênero e ocupação da mulheres seja pauta”, observa Rafaela Inácio, estudante de Enfermagem e uma das fundadoras do Movimento. Nós que frequentamos o Arruda mostramos às que não vão que tem, sim, mulher em todo jogo e que elas não está sozinhas quando o assunto é Santa Cruz.

Ela observa que em muitos momentos, o Movimento “bate de frente” como homens (e até mulheres) machistas, que “se incomodam com a ocupação”, mas que isso é motivo para as Coralinas crescerem e cativarem cada vez mais mulheres na luta contra o machismo.

Elas foram chamadas para uma roda de diálogo na UPE, para um Fórum de Mulheres de Caruaru, e só não participaram do I Encontro Nacional de Mulheres de Arquibancada, em São Paulo, porque não conseguiram as passagens. “Fico feliz quando vejo mais mulheres ocupando o Arruda, mas tem um caminho muito grande para percorrer”, completa Thammy.

As comemorações do primeiro aniversário começam às 15h, no campo society do Arruda. De tão apaixonadas por futebol, há dois meses elas começaram a jogar uma pelada (só de mulheres) aos sábados. Depois, vão assistir juntas  e torcer pela vitória coral, no jogo contra o Juventude, na última partida do primeiro turno da Série B.

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