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Histórias de Amor Coral

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CORAÇÃO DE MENINO

A paixão de José Félix pelo Santa Cruz entrou em campo quando ele viu o pai vestir a camisa encarnado-branco-e-preta para defender o time fundado poucos anos antes pelos rapazes do pátio da igreja de Santa Cruz.  Ele era um menino de seis ou

sete anos, mas jamais vai esquecer a imagem do pai no gramado do campo da avenida Malaquias. Isso aconteceu lá pelos anos 20 do século passado. A data e o adversário perderam-se, mas aos 100 anos de idade, a emoção que Zé Félix sente quando o Time do Povo entra em campo é igual a daquela tarde da década de 20.

Sempre que o Santa joga nos finais de semana, o ritual se repete: ele sai de casa, em Vitória do Santo Antão, escoltado por alguns dos seus nove filhos, 20 netos e 10 bisnetos para ir ao Arruda. Para não ficar muito cansativo, ele chega na véspera do jogo. Fora esse cuidado, a família garante que não há riscos, o coração é de menino. Ficar em casa acompanhando pelo rádio é que o faria envelhecer mais 100 anos.


TODOS POR UM PAREDÃO

Sem ganhar nada desde 1947, os dirigentes corais decidiram que era hora de levar a sério a máxima de que “todo bom time começa por um bom goleiro”. A aposta era ousada: Barbosa, vice-campeão mundial em 1950, foi comprado ao Vasco da Gama. O mais difícil era conseguir o dinheiro para pagar as luvas e o primeiro mês de salário do goleiro que, apesar de carregar injustamente a culpa pela derrota para o Uruguai cinco anos antes, era bastante querido pela torcida carioca.

Nos rádios, os dirigentes apelaram para a torcida. De certo. No primeiro treino de Barbosa em julho de 1955, o alçapão do Arruda. Alguém teve a ideia de esticar uma bandeira tricolor no chão e, logo, centenas de moedas e cédulas cobriram o manto vermelho-branco-e-preto. Então, os torcedores carregaram a bandeira em torno das arquibancadas de madeira para que todos os presentes pudessem contribuir. Foi tanto dinheiro arrecadado que o símbolo do clube ficou pesado. Barbosa recebeu seu pagamento no dia seguinte. No Santa, o goleiro vice-campeão não chegou a ser campeão estadual, mas conquistou um inédito Torneio Pernambuco-Bahia em 1956.

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PELO SANTA, QUALQUER ESTRADA É CURTA

Antes do jogo, ele escolhe a camisa da sorte, pede a um amigo que more perto do estádio para comprar seu ingresso e entra no carro com a família em direção ao Arruda. A rotina de Alexadre Amorim de Oliveira para assistir aos jogos do Santa Cruz seria parecida com a de qualquer torcedor coral, não fosse por um detalhe: ele vive em Vitória da Conquista, perto da divisa da Bahia com Minas Gerais, a exatos 1.198 quilômetros da avenida Beberibe.

E ele não enfrenta essa distância somente em jogos decisivos. Duas vezes por mês, pelo menos, ele faz questão de pegar a estrada para ver seu Santinha jogar. Quando o Santa pegou o Potiguar em Goianinha, na série C de 2013, ele estava lá. Distância: 1.415 quilômetros. Na tarde em que o Santa Cruz perdeu a viagem naquela partida que não houve contra o Mogi-Mirim, Alexandre estava lá. Mais 1.390 quilômetros. Passar 15 horas ao volante é normal para Alexandre, que costuma sair de Vitória da Conquista na madrugada do sábado, almoça com a irmã no domingo e só volta na segunda.

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LOTAÇÃO GRÁTIS. DESTINO: ARRUDA

Nem mesmo na rua onde mora Evaldo Moura é conhecido pelo nome e sobrenome. No Poço da Panela ele é simplesmente Naná, ou ‘o gordinho Naná’, sujeito de espírito solidário conhecido na cidade graças às reportagens de TV que fizeram a fama da sua Kombi que, todas as manhãs, ele transforma em transporte escolar gratuito para as crianças da comunidade mais pobre do bairro, às margens do rio Capibaribe.

Em dias de jogo do Santa, a solidariedade de Naná beneficia os tricolores que mal tem o dinheiro da passagem para chegar ao Arruda. Mais uma vez, ele leva a Kombi para a frente da igreja do Poço e só sai quando todos os caronas chegam para lotar o veículo de torcedores. E se não lotar na saída, ele vai parando a medida que encontra corais desconhecidos a caminho do Mundão. Ninguém paga nada. Cada um contribui com alegria ou segurando a bandeira na janela.

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O ESTÁDIO QUE O POVO CONSTRUIU

Para construir o Arruda, o Santa Cruz desencadeou uma das maiores mobilizações populares já realizadas por um clube de futebol no Brasil. Durante pelo menos quatro anos anos, a torcida arrecadou milhões de tijolos que o clube trocava por outros materiais que eram realmente utilizados na construção do estádio.

Todos os dias, chegavam à avenida Beberibe torcedores em carros com porta-malas carregados, carrinhos de mão empurrados por quilômetros ou até mesmo pessoas que desciam do ônibus com dois ou três tijolos nas mãos.

Centenas de engenheiros civis, pedreiros, eletricistas, encanadores e mestres-de-obras doaram horas e mais horas de serviço para construir o Arruda nos horários de folga, à noite ou durante os finais de semana. Proprietários de picapes ou de caminhões colocaram seus veículos à disposição para recolher material doado em outros municípios.

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DAS ARQUIBANCADAS PARA O TRIBUNAL

Ela era uma torcedora como qualquer outra. Apesar de sócia desde criança, preferia às arquibancadas a qualquer outro espaço privilegiado do Arrudão. Formada em Direito, quase perdeu a voz no dia em que recebeu do Santa Cruz a proposta de ser indicada pelo clube para compor o Tribunal de Justiça Desportiva (o TJD-PE). Melhor, Alessandra Lins seria a primeira mulher tricolor a integrar o tribunal por indicação do Time do Povo.

Havia, porém, um problema a ser resolvido: ela não estava disposta a abrir mão de viver sua paixão, mas não queria colocar em risco sua representação no Tribunal, principalmente porque logo assumiu a presidência de uma das comissões. Então, Alessandra passou a ir para às arquibancadas ou à geral com uma farta peruca loira, sempre acompanhada do então namorado – e atual marido – Gerrá da Zabumba. Por cinco anos, as autoridades do futebol nunca a reconheceram e os torcedores não tinham ideia de sua dupla identidade. Deu certo até o momento em que ficou grávida, afastou-se e o mandato terminou.

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