Flávio Caça-Rato: "From Arruda to the world."
Futebol Profissional

Flávio Caça-Rato: "From Arruda to the world."

por Comunicação / Santa Cruz3 min de leitura

Neste domingo (26), o Jornal The Guardian - Londres -, publicou matéria com o atacante Flávio Caça-Rato, falando um pouco da sua trajetória de vida, identificação com a torcida e participação no…

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Neste domingo (26), o Jornal The Guardian - Londres -, publicou matéria com o atacante Flávio Caça-Rato, falando um pouco da sua trajetória de vida, identificação com a torcida e participação no acesso à Série B 2014.

Confira o teor da matéria:

<b>THE GUARDIAN</b> O Nordeste é a região mais pobre do Brasil e Recife, uma bela cidade costeira de cerca de 4 milhões - é um tipo muito nordestino de cidade. O Santa Cruz, equipe mais popular da cidade, é um tipo bem nordestino de clube de futebol.

Apesar de passar os últimos seis anos jogando fora das duas primeiras divisões do futebol brasileiro, o Santa Cruz ainda é um dos clubes mais queridos do Brasil . Em novembro passado 60 mil pessoas lotaram o Estádio Arruda – bem comprimidos - para o segundo jogo das Quarta-de-Final que confirmou o retorno da equipe para a Série B, em 2014.

Como as sofisticadas sedes da Copa do Mundo brotam em todo o Brasil, os preços dos ingressos sobem em conformidade com a atmosfera da classe trabalhadora. No Arruda, os fãs - que pagam relativamente pouco pelos ingressos -, permanecem estridentes.

Mas se a vida é difícil para as equipes de futebol do Nordeste, é muito mais para muitos de seus atletas, como Flávio Caça- Rato ou Flávio, o Caçador de Ratos. O pai de Flávio era um alcoólatra. Certa vez, enrolou um lençol em volta do pescoço de seu filho, amarrado -o sobre uma viga do telhado e puxou. Graças a chegada do tio de Flávio foi salvo. O pai de Flávio bebeu até morrer em 2010.

"Foi um momento difícil", diz Flávio Caça-Rato, cujo apelido vem de seu hobby de infância: caçar ratos com seu estilingue. "Ele não era um mau pai, mas eu nunca conseguia entender por que ele bebia muito", relembra.

Três semanas antes falávamos com o atacante Coral me sentei na arquibancada no Arruda e vi o Caça-Rato marcar o gol que garantiu o acesso Coral. A enorme multidão, muitos de bairros humildes, como Flávio, enlouqueceu.

"Foi incrível", diz ele. "Significou muito ser capaz de dar algo de volta para os fãs. Eles sofreram muito. Sendo relegados e jogar nas divisões inferiores é difícil para um grande clube. Você perde o seu orgulho, a sua dignidade", disse Caça-Rato.

Será que vir de uma família pobre torna mais fácil para os fãs se identificarem com ele? "Talvez. Eu cresci ao lado de Arruda. Eu costumava implorar para que eu pudesse entrar e assistir o Santa Cruz jogar. Muitos fãs do Santa Cruz têm vidas difíceis também. Talvez eles me veem como um deles", comenta o atacante Coral.

No jornal Folha de São Paulo, o jornalista Xico Sá escreveu sobre o jogador. "No país, alguns Caça- Rato, como Flávio, talvez escapem, graças ao futebol, funk ou rap, mas a maioria é perdida ao longo do caminho, como pequenos caçadores de ratos condenados a uma vida recusável ou, pior, por balas da polícia, quase sempre mortos, antes de completaram 30 anos.”

Foram mais de 50 mil assassinatos no Brasil em 2012, com jovens negros representando um número desproporcionalmente alto de vítimas. Flávio Caça-Rato chegou perto de entrar para a lista em 2010, quando baleado duas vezes , deixando uma boate na periferia de Recife.

Eu pergunto se ele pensa em jogar na Copa do Mundo - um artista local gravou uma música suplicando a gerente Brasil Luiz Felipe Scolari para chamar Flávio para a equipe nacional. "Quem sabe? Jogando para o Brasil se pode ir muito longe. Mas as coisas podem mudar. Qualquer coisa é possível", finalizou Caça-Rato.

Acesse o link:

http://www.theguardian.com/world/2014/jan/26/brazil-footballer-flavio-rat-catcher-santa-cruz

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