Antes de acertar com o novo comandante, a diretoria coral havia alertado que iria em busca de um treinador que causasse impacto. A escolha, portanto, não poderia ter sido mais eficiente. Esta quarta-feira, dia 30 de março, marcou o início oficial da era Milton Mendes. O técnico, que já havia mobilizado toda a torcida coral, também causou impressões positivas em sua coletiva de apresentação, nesta manhã.
Milton Mendes, que desembarcou no Recife há menos de 24 horas, teve o primeiro contato com o Estádio do Arruda nesta quarta-feira. O treinador chamou a atenção por carregar consigo um perfil singular, quebrando os moldes naturalmente utilizados por outros técnicos.
Ao chegar para a coletiva de apresentação, vestido de terno e gravata, o novo comandante coral fez questão de cumprimentar a todos, mesmo aqueles que não estavam na sala de entrevistas. A cada pergunta realizada, Milton Mendes anotava o nome do profissional que o questionava. A cada pergunta respondida, o treinador voltava a interagir com o jornalista, querendo saber se as suas declarações tinham sido suficientemente esclarecedoras.
Com educação e bom humor, o treinador provou que tem um estilo muito peculiar. E não apenas no trato com as pessoas. “Vai ser uma tônica diária nossa, o respeito nas relações. Vamos manter isto dia após dia. Cada um teu seu estilo. Me sinto bem com gravata. Por conta da temperatura aqui no Nordeste, o traje pode não ser tão a rigor em todas as partidas. Mas vou tentar”, brincou.
A missão de criar um novo ambiente já foi cumprida. O impacto já foi alcançado. A julgar pela reação geral, a trajetória de Milton Mendes promete ser histórica no Santa Cruz. Confira, abaixo, os principais trechos da entrevista coletiva do novo treinador coral, concedida na manhã desta quarta-feira, no Arruda..
Acerto com o Santa Cruz
É um prazer defender o Santa Cruz. Busco excelência na minha carreira e Recife é um centro que todos querem trabalhar. Chegar ao clube com grande aceitação da torcida é muito bom, mas também aumenta a nossa responsabilidade. Temos uma torcida apaixonada, como era a do Atlético-PR. Hoje me sinto em casa no Santa Cruz.
Estilo tático
O torcedor pode esperar um time diferente, um time que vai tentar a partir das melhores escolhas. Mas é um processo de mudança e isto demanda um tempo. O jogador não precisa jogar bem toda semana. Mas precisa se dedicar em todos os jogos. A raça tem que estar presente sempre. Gosto de um time com bastante compactação, com marcação e saída em velocidade. Precisamos trabalhar para desenvolver.
Projeto no clube
Quero que o clube cresça na estrutura, quero ajudar no processo e as conquistas vão ser alcançadas a partir daí. Acredito muito nas pessoas do Santa Cruz. Vamos em busca da condição de trabalho ideal. Quando se quer, é possível. Quero crescer junto com o clube.
Análise do momento coral
A ansiedade é a doença do cérebro. Precisamos viver o momento. O Santa Cruz voltou para a Série A, os torcedores estão ansiosos e isso também passa para os jogadores, o que acaba atrapalhando. Peço que o torcedor acredite no clube, no projeto, nas pessoas. Aceitei vir para o Santa Cruz porque acreditei no Alírio, no Constantino, nos diretores. São vencedores e já mostraram. Merecem confiança.
Avaliação do elenco
Neste momento, estou satisfeito com o elenco que temos. Se esse time foi vencedor na Série B, pode ser na Copa do Nordeste e no Pernambucano. Mais para frente, veremos se precisaremos de reforços. Mas confio nos atletas que aqui estão. Temos jogadores que já provaram que podem. Precisamos apenas ajustar taticamente a equipe. Orçamento não ganha jogo. Comprometimento e força de vontade ganham jogo.